PAUL KLEE|10 MIN DE LEITURA
As histórias por trás de sete obras de Paul Klee
Uma viagem pela Tunísia em abril de 1914 mudou a forma como um artista via a cor. Sete obras mostram o que se seguiu, de uma aguarela banhada pelo sol à geometria sombria do seu último ano.
AUTOR MORYARTY

Paul Klee é um daqueles artistas cuja obra reconhecemos mesmo sem nunca a termos visto ao vivo: uma cidade tunisina transformada num mosaico de cores, a noite povoada de aves de «Rouxinóis persas», o rosto semelhante a uma máscara de «Senecio». Este artigo conta as histórias por trás de sete obras de Paul Klee: passa por uma cena de combate numa ópera, uma grelha com o nome de um mês de primavera e duas obras tardias, a segunda do seu último ano de vida. Por trás de cada uma há um lugar, um título ou um momento da vida do artista.
O percurso segue a cronologia. Começa em abril de 1914, quando uma viagem pela Tunísia mudou a forma como Klee usava a cor. Continua pelos anos em que ensinou na Bauhaus, em Weimar e Dessau. Termina na Suíça, para onde regressou em 1933 e onde trabalhou até ao fim da vida. Entre esses momentos, a sua maneira de pintar mudou várias vezes. As densas manchas de cor que pintou em 1919 e os blocos semelhantes a janelas de 1917 ficam de um lado. Do outro estão as formas flutuantes de 1930 e as figuras leves e emblemáticas de 1938. Pode encontrar as sete obras disponíveis como impressões na nossa coleção Paul Klee, restauradas à mão e impressas por nós em Barcelona.
Como é que a visita de Klee à Tunísia marcou a aguarela «Hammamet»?
Em abril de 1914, Klee viajou até à Tunísia com os pintores August Macke e Louis Moilliet. Passaram por Tunis, St Germain, Hammamet e Kairouan, e o registo do Metropolitan Museum of Art indica que Klee visitou Hammamet a 14 de abril. Foi por causa dessa visita que a cidade entrou na sua obra. Nesta aguarela tunisina, vê-se o padrão dos seus blocos banhados pelo sol.

Hammamet é uma cidade real na costa tunisina. Um título como este liga a obra à viagem, mas não pretende mostrar uma rua em particular: Klee pintou a impressão que o lugar lhe deixou, a luz e a cor, não um retrato fiel da cidade. A aguarela constrói-se como um mosaico de blocos geométricos. Linhas escuras e finas sustentam uma grelha solta, enquanto vermelhos, azuis e amarelos brilham entre tons secundários mais suaves, como uma cidade mediterrânica vista sob uma luz intensa.
Estão documentadas duas aguarelas de Hammamet de 1914. Segundo o registo do Met, Klee pintou «Hammamet com a sua mesquita», que pertence ao museu, a partir do exterior das muralhas: na parte superior surgem a mesquita, com duas torres, e os jardins; na inferior, tudo se dissolve em planos translúcidos de cor. O Met aponta aí a influência de Robert Delaunay e do seu exemplo de fazer da cor pura o tema de um quadro. O Kunstmuseum Basel, por sua vez, conserva outra obra de 1914, intitulada «Motiv aus Hammamet», feita a aguarela e lápis sobre papel e cartão.
O próprio Klee registou por escrito a mudança na sua relação com a cor. Às portas de Kairouan, anotou no diário que a cor tomara conta dele. Estas primeiras aguarelas de Hammamet são anteriores à Bauhaus e ao ensino que o tornaria famoso. O Metropolitan Museum of Art observa que se pode dizer que a sua formação durou até esta viagem. A cor já está lá, mas a teoria ainda não tem nome.
O que acrescenta o título «Rouxinóis persas» às aves e aos ornamentos?
Em 1917, a meio da Primeira Guerra Mundial, Klee criou «Rouxinóis persas». Nesses anos, serviu no exército alemão e continuou a trabalhar. A obra pertence hoje à National Gallery of Art, em Washington, que a descreve como guache, aguarela, pena e tinta preta sobre grafite em papel vergé, montado em cartão. É pequena, mais ou menos do tamanho de uma página de caderno, e está cheia de aves estilizadas, estrelas e formas ornamentais traçadas a linhas pretas finas, com apontamentos de azul, rosa, vermelho e amarelo sobre fundos que lembram pergaminho.

O título junta uma referência à Pérsia a uma ave conhecida pelo canto. Não menciona um poema específico nem uma encomenda. Mas vale a pena conhecer a leitura do museu. A National Gallery of Art sugere que a obra alude muito provavelmente a Hafez, poeta persa do século XIV em cuja poesia se repetem o rouxinol e a rosa, e que Klee terá conhecido Hafez através do «West-östlicher Divan», de Goethe, obra que apresentou o poeta aos leitores alemães. É uma hipótese do museu, não uma nota escrita pelo próprio Klee. Ainda assim, explica melhor do que qualquer outra a associação entre os ornamentos persas e uma ave que canta.
Na tradição de Hafez, o rouxinol e a rosa representam juntos o desejo e a devoção. Sabê-lo muda a forma como olha para os ornamentos: o que primeiro parece decoração torna-se uma canção de amor escrita em padrões, em vez de palavras.
A música acompanhou Klee ao longo da vida. Era um violinista talentoso e chegou a ponderar fazer dela profissão antes de escolher a pintura. Uma ave a cantar é talvez o mais perto que uma imagem consegue chegar do som, e as aves e as estrelas desta impressão são um dos pontos em que as suas duas artes mais claramente se encontram. Não precisa de conhecer o contexto persa para o sentir. A linha preta e fina dá à superfície um ritmo que o olhar acompanha.
É mais fácil reconstituir a história posterior da obra do que a sua origem literária. Passou pelas coleções de Heinz Berggruen, em Paris, e de Walter Feilchenfeldt, em Zurique, antes de ser comprada em 1973 por Catherine Gamble Curran, de Nova Iorque. Em 1990, ela doou uma parte da propriedade da obra à National Gallery of Art e prometeu doar a parte restante mais tarde.
O que revela «Baldgreis» sobre o rosto de «Senecio»?
Em 1922, nos primeiros anos em que lecionou na Bauhaus, em Weimar, Klee pintou «Senecio». Não há registo de uma encomenda nem de alguém que tenha posado para a obra, o que é invulgar num quadro que tanto se parece com um retrato. O rosto é estilizado, não observado: retângulos laranja, rosa, amarelos e brancos rodeiam olhos fixos e assimétricos. Pode pendurar na sua parede uma impressão de geometria e cores quentes com esse rosto que lembra uma máscara.

Os historiadores de arte interpretaram o título alemão alternativo «Baldgreis» como uma tradução literal ou uma alusão humorística a alguém que em breve será velho. Em alemão, bald significa em breve e nada tem que ver com cabelo. Alguns autores traduziram o título para inglês como «Head of a Man Going Senile». Ambos os nomes remetem para a velhice e levam-nos a ver no rosto o de um homem idoso.
O nome de sonoridade latina tem também uma ligação à botânica. Historiadores de arte citados na Wikipédia em alemão associam «Senecio» à tasneirinha, cujas cabeças redondas de sementes comparam ao rosto circular e às suas manchas de cor. Um triângulo e uma linha curva por cima de um dos olhos dão a impressão de uma sobrancelha levantada.
Quem escreve sobre o quadro também vê nele a influência das máscaras africanas, do teatro de marionetas e do quadrado, do triângulo e do círculo que Wassily Kandinsky promovia na Bauhaus. O original pertence hoje ao Kunstmuseum Basel. É uma pintura a óleo sobre uma base de giz aplicada a gaze sobre cartão, de dimensões modestas. O museu comprou-a em 1931, nove anos depois de Klee a ter pintado em Weimar, e nessa altura o artista ainda trabalhava.
Porque é que a cena de combate de «O marinheiro» é uma cena de ópera?
Klee criou esta obra em 1923, também durante os anos que passou na Bauhaus, em Weimar. O título completo, «Kampfscene aus der komisch-phantastischen Oper ‘der Seefahrer’», diz muita coisa: identifica uma cena de luta ou batalha e o género de história a que pertence, uma ópera cómica e fantástica chamada «O marinheiro». O Kunstmuseum Basel conserva o original, catalogado com o número 123 que o próprio Klee lhe atribuiu em 1923.

O título apresenta a situação teatral antes de o olhar se deter na imagem. A obra mostra formas simplificadas e rítmicas que sugerem ondas e a vida no mar, como se a cena tivesse sido escrita numa pauta musical em vez de pintada. Azuis intensos de mar contrastam com rosas e vermelhos quentes, unidos por linhas escuras. Pode ver esse teatro nesta cena de ópera.
A música não era um interesse secundário para Klee. Filho de músicos, tinha talento para o violino e chegou a ponderar fazer dele profissão. A referência à ópera no título não é, por isso, um ornamento emprestado: vem de uma parte da sua vida que conhecia intimamente. A ideia teatral é sua.
O título, porém, não aponta para uma representação real. Os registos não mencionam que tenha sido encenada uma ópera com esse nome, que Klee a tenha composto ou que alguém lhe tenha encomendado a obra como cenário. O que está documentado é uma obra de 1923 que convida quem a vê a imaginar a representação. A impressão preserva essa abertura: não precisa de conhecer a ópera para acompanhar a luta.
Como é que a grelha abstrata de «Quadro de maio» sugere a primavera?
«Quadro de maio» data de 1925. Nesse ano, a Bauhaus mudou-se de Weimar para Dessau, onde Klee lecionava. A pintura é uma paisagem dividida em pequenos quadrados que parecem prolongar-se para lá dos limites da obra. O Metropolitan Museum of Art, a que pertence o original, inclui-a na série a que chama Quadrados Mágicos de Klee.

Essa série nasceu diretamente da viagem à Tunísia em 1914. O registo do Met estabelece a ligação: aquilo que Klee viu pela primeira vez na luz do Norte de África tornou-se, uma década depois, um sistema de campos de cor em que cada bloco tem o seu tom e os blocos, juntos, compõem um conjunto. O museu sugere que os quadrados podem ser vistos como pedras irregulares a formar um mosaico. É aí que entra a estranha primavera do título.
Maio evoca uma estação do ano, não o dia em que a obra foi feita. O título não indica quando Klee a pintou, mas convida o leitor a ver os verdes e as mudanças subtis como uma estação. A grelha solta mistura verdes, vermelhos, azuis e cinzentos discretos, com cada célula contornada por uma linha preta fina; as transições suaves mantêm toda a superfície em movimento. Um passeio em maio tem algo de semelhante: vários tons de verde ao mesmo tempo e manchas de luz que mudam à passagem das nuvens.
Se olhar durante algum tempo para esta grelha da época da Bauhaus, encontra a estação mais na cadência do que numa cor isolada. O Metropolitan Museum of Art vê no quadro um testemunho do interesse duradouro de Klee pela teoria da cor, que também marcou o seu ensino na Bauhaus.
Onde fica o parque retratado em «Parque perto de Lu»?
Em 1938, Klee já tinha regressado à Suíça havia cinco anos. Em 1933, os nacional-socialistas afastaram-no do cargo de professor na Academia de Düsseldorf e, no fim desse ano, deixou a Alemanha com a mulher e voltou a Berna, a sua cidade natal. «Park bei Lu.», para usar o título alemão do quadro, pertence aos anos seguintes. Conserva-se hoje no Zentrum Paul Klee, em Berna, e foi pintado a óleo e pasta colorida sobre papel aplicado em juta. Mantém ainda as ripas originais da moldura.

O título curto parece uma abreviatura, e a página que apresenta a obra entre as atrações culturais de Berna interpreta-o como um parque perto de Lucerna: segundo essa página, o quadro nasceu de uma impressão da natureza que Klee teve num parque da cidade. Lu é, portanto, a forma abreviada do nome da cidade. O quadro é grande, o suficiente para que os ramos despidos pareçam grossos traços pretos, entre os quais brilham cores vivas.
A página suíça de turismo que apresenta a obra assinala um pormenor que vale a pena repetir: os ramos estão despidos, como no inverno, mas não se trata de um quadro de inverno. Primavera e inverno, morte e floração convivem na mesma imagem. Os registos de museus e galerias descrevem «Park bei Lu.» como uma pintura de 1938. Pode pendurar esta paisagem geométrica tardia e decidir qual das estações prevalece.
O que revela o último ano de Klee sobre «A hora antes de uma certa noite»?
Klee datou esta obra de 1940, o ano em que morreu, a 29 de junho, em Muralto, perto de Locarno. A data situa-a nos seus últimos seis meses de vida, mas não nos diz em que dia foi feita nem a que noite se refere. O título, «die Stunde vor einer Nacht», fala de uma hora e de uma noite, e de mais nada: nenhum acontecimento, pessoa ou lugar. O catálogo raisonné dá-lhe o título inglês «The Hour Before a Night», enquanto o Metropolitan Museum of Art, a que pertence a obra, lhe chama «The Hour Before One Night».

A imagem constrói-se com linhas pretas fortes que formam uma rede de figuras angulosas sobre um fundo cinzento discreto, pontuado por áreas planas de vermelho e azul. O equilíbrio entre ordem e espontaneidade é típico do Klee tardio: as linhas conduzem o olhar, mas as formas permanecem abertas e sem nome. Pode observar essa tensão nesta obra tardia e austera.
É mais fácil seguir o percurso posterior da obra do que decifrar o seu significado. Foi vendida em 1952 ao barão Floris Carselius van Pallandt, de Haia, passou por herança para uma coleção privada e foi vendida na Christie's, em Londres, a 1 de dezembro de 1981, a Heinz Berggruen. Em 1984, Berggruen doou-a ao Met, onde integra a coleção Berggruen Klee, embora o registo do museu indique que não está atualmente em exposição. O suporte conserva marcas feitas pelo próprio Klee: a assinatura no canto superior esquerdo e o número ‘1940 L 17’ no canto inferior esquerdo.
Os últimos anos de Klee foram difíceis. Após a ascensão de Hitler, foi afastado do cargo em Düsseldorf, e a Gestapo revistou-lhe a casa e o atelier. Regressou à Suíça em 1933, onde continuou a trabalhar apesar do isolamento e da incerteza financeira, e fez arte até ao fim. A data desta obra é prova dessa persistência, não uma premonição: Klee nunca explicou a noite do título, e o mistério faz parte do fascínio da imagem.
Sabia que…?
- Klee começou a escrever um diário em 1898, aos dezanove anos, e atribuiu uma data e um número a cada entrada.
- O Metropolitan Museum of Art observa que se pode dizer que a formação artística de Klee, iniciada em Munique em 1898, durou até à viagem à Tunísia em 1914.
- Em 2014, o Zentrum Paul Klee reuniu mais de 140 obras feitas durante a viagem à Tunísia ou inspiradas por ela, pela primeira vez em quase trinta anos.
- «Quadro de maio» integra a coleção Berggruen Klee do Metropolitan Museum of Art e foi oferecido ao museu em 1984.
- Klee nasceu a 18 de dezembro de 1879 em Münchenbuchsee, perto de Berna.
- Klee morreu a 29 de junho de 1940, pouco antes de lhe ser concedida a cidadania suíça, e está sepultado em Berna.
Perguntas frequentes sobre Paul Klee
Qual era o estilo artístico de Paul Klee? É difícil enquadrá-lo num único movimento. A sua linguagem visual manteve-se pessoal, mesmo quando o ensino na Bauhaus marcou a obra posterior. Construía imagens com sinais, grelhas e pequenas manchas de cor, muitas vezes estruturadas por linhas pretas finas. A série dos Quadrados Mágicos é o exemplo mais claro.
Que museus conservam obras de Paul Klee? Estas sete obras distribuem-se por quatro coleções: o Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque, a National Gallery of Art, em Washington, o Kunstmuseum Basel e o Zentrum Paul Klee, em Berna. O registo do Met indica que «A hora antes de uma certa noite» não está em exposição, por isso confirme antes de visitar.
O que é «Senecio», de Paul Klee? É um retrato de 1922 construído com áreas geométricas planas em laranja, rosa, amarelo e branco. O título alemão alternativo, «Baldgreis», sugere a ideia de envelhecer. O Kunstmuseum Basel comprou o original em 1931, nove anos depois de ter sido pintado.
Porque é que a Tunísia mudou a forma como Klee usava a cor? Em abril de 1914, Klee viu a luz e a arquitetura do Norte de África na companhia de August Macke e Louis Moilliet. Às portas de Kairouan, escreveu no diário que a cor tomara conta dele. O Metropolitan Museum of Art traça uma linha dessa viagem até aos planos translúcidos das aguarelas de Hammamet e, depois, às grelhas dos Quadrados Mágicos dos anos 1920.
Paul Klee tocava algum instrumento? Nascido em 1879 numa família de músicos, era um violinista talentoso e ponderou durante algum tempo seguir uma carreira musical. A música surge também nos títulos: a obra de 1923 «O marinheiro» menciona uma ópera cómica e fantástica, e a ave que canta em «Rouxinóis persas» leva um tema musical à pintura.
Quais destas obras posso pendurar em casa? As sete integram a coleção de impressões de Paul Klee no nosso site. Imprimimos cada uma em Barcelona, em papel de belas-artes de qualidade museológica, e enviamo-la para toda a Europa. Os posters mencionados neste artigo são um bom ponto de partida, quer prefira a geometria de cores quentes de «Senecio», quer as linhas mais sombrias da obra tardia «A hora antes de uma certa noite».
Posters da nossa coleção
- Hammamet (Paul Klee, 1914)
- Arquitetura colorida (Paul Klee, 1917)
- Formas livres (Paul Klee, 1930)
- Senecio (Paul Klee, 1922)
Sobre o autor
A MORYARTY Vintage Posters nasceu em 2015 de uma convicção simples: a arte não deve estar reservada a quem tem rendimentos elevados. Encontramos os nossos posters em museus, bibliotecas, coleções digitais e coleções particulares, restauramos cada um à mão sem alterar o design nem as cores e imprimimos em Barcelona, em papel de belas-artes de qualidade museológica. Pode ver os nossos posters em cinco lojas: duas em Barcelona e três em Lisboa. Todas as impressões são enviadas de Barcelona para toda a Europa.
Fontes
- Paul Klee, Britannica, https://www.britannica.com/biography/Paul-Klee
- Biografia de Paul Klee, Zentrum Paul Klee, https://www.zpk.org/en/paul-klee-biography
- «Hammamet com a sua mesquita», The Metropolitan Museum of Art, https://www.metmuseum.org/art/collection/search/483158
- «Persische Nachtigallen (Rouxinóis persas)», National Gallery of Art, https://www.nga.gov/fun-and-games/coloring-pages/71551-persische-nachtigallen-persian-nightingales
- «Park bei Lu. (Parque perto de Lu.)», MySwitzerland, https://www.myswitzerland.com/en-us/experiences/cities-culture/art-culture/art/park-near-lu/
- «A hora antes de uma certa noite», The Metropolitan Museum of Art, https://www.metmuseum.org/art/collection/search/483183

